Sente-se, disse o imaginário leitor.
O pedido é feito.
Eis o momento de um diálogo com o papel.
Sim. Diálogo, e não monodiálogo.
Há uma certa reciprocidade em cada linha terminada.
"Eis-me aqui" sussuram as palavras.
Então faz-se necessário um entedimento, um imperceptível lapso de conexão pós-criação.
O Criatura indagando o Criador.
-É isso mesmo que gostaria de passar? Pergunta o "eu lírico" do autor, intrometendo-se e tornando esta conversa à três.
Enquanto isso o leitor, paciente leitor, diga-se de passagem, aguarda o produto final após este confrontamento de ideias.
E quando ele surge, é tão homogênio que dá a impressão que fora feito de maneira horizontalmente continuada, como um longo suspiro.
Então o poeta, o seu "eu lírico" e as futuras linhas escritas caminham para um descanso, até o próximo encontro, tranquilo ou inquieto, que não tardará a acontecer.
